Aceitei o desafio de ser mediadora do Clube do Livro há quatro edições e, na 10a edição, escolhi abordar a temática da crônica, um gênero que até então era desconhecido para mim. Foi uma experiência enriquecedora, pois, entre todas as temáticas já trabalhadas, essa foi a que mais despertou meu interesse para pesquisar, compreender e discutir. Ao final do processo, percebi que também me identifico com a escrita de crônicas.
O que mais me chamou atenção nesse gênero literário é a sua capacidade de reunir diferentes histórias e reflexões em um mesmo livro. Diferente de outros estilos, a crônica não depende de uma única narrativa com começo, meio e fim, mas apresenta múltiplos olhares sobre situações do cotidiano.
A crônica escolhida para leitura foi “Da Janela do Ônibus”, de Bruna Vieira. No texto, a autora relata o hábito de viajar sempre na janela do ônibus para imaginar a vida das pessoas que observa ao longo do caminho. A partir de cenas simples, como senhoras observando a rua pela janela, crianças brincando na calçada e homens assistindo futebol em um bar, ela constrói reflexões sobre a forma como enxergamos o outro e interpretamos suas vidas.
A crônica também aborda as expectativas que criamos em relação à nossa própria vida e à vida das outras pessoas. Cada indivíduo possui suas próprias necessidades, valores e maneiras de enxergar omundo. Muitas vezes, ao tentar imaginar o que o outro pensa ou deseja, acabamos projetando nele nossos próprios sentimentos e expectativas.
Ao final, o texto transmite a ideia de que a vida deve ser vivida de maneira mais simples e verdadeira, sem excessos de expectativas ou idealizações, valorizando as experiências como elas realmente são.
Antônio José Rodrigues da silva
Livro: Para Gostar de Ler – Volume 4
Na coleção Para Gostar de Ler, os cronistas Rubem Braga, Fernando Sabino, Carlos Drummond de Andrade e Paulo Mendes Campos exploram, de forma magistral, os fatos triviais do cotidiano, de forma nostálgica, bem humorada ou reflexiva.
Destaquei a crônica de Rubem Braga, “Carta ao Prefeito”, escrita em 1951, para fazer um paralelo com os gestores hodiernos, podendo ser enquadrada qualquer cidade do Brasil. Percebe-se, logo, que nada mudou e o brasileiro continua sofrendo com os mesmos problemas crônicos linearmente com o tempo, mas, infelizmente, de forma mais aguda e deplorável. Temas como a violência, sujeira das urbes, saúde, transporte e educação são renegados ao total descaso, de tal forma que são banalizados pelos habitantes, deixando os políticos totalmente acomodados em suas zonas de conforto.
O tempo passa, mas os modos operantes dos políticos ficam adormecidos doentiamente, através de promessas vazias e discursos hipnotizantes que caducam no tempo, na mente do trabalhador da base da pirâmide social brasileira, suporte de manobra da elite.
Leitora: Evelyn Lohanne Amorim Almeida
Livro - Vida de Professor
Escritor: Antônio José Rodrigues
Eu escolhi o livro Vida de Professor pelo seu
título, pois ele me chamou a atenção por passar
a ideia de retratar as experiências de um
professor como pessoa e não só trazer coisas
referentes à sua profissão.
Ele se relaciona com o tema por se tratar de
uma crônica, pois traz experiências do dia a dia,
com histórias curtas e simples. Além disso,
dentro dessas histórias há reflexões e, em
alguns momentos, um certo pensamento crítico
e até críticas sobre a realidade.
A obra apresenta um conjunto de crônicas, com
várias histórias diferentes, com personagens,
cenários e situações variadas, tendo em comum
apenas o protagonista.
Por se tratar de várias
histórias, não existe apenas um enredo principal,
mas sim diferentes acontecimentos ao longo do
texto. As histórias não me lembram alguém
específico, porém algumas situações são
familiares para mim, principalmente por uma
das histórias acontecer na minha escola,
mesmo sendo retratada em tempos antigos.
A leitura me trouxe sentimentos muito positivos.
Eu gostei muito, porque, apesar de trazer
histórias do dia a dia, são situações diferentes e,
em alguns momentos, até inesperadas.
Algumas histórias são leves e engraçadas,
enquanto outras trazem reflexões importantes.
A leitura é fácil e parece que o autor está
conversando diretamente comigo, o que torna
tudo mais leve e interessante. Além disso, me
fez sentir mais próxima do autor por já ter
passado por experiências parecidas. Foi muito
boa e me trouxe ensinamentos importantes.
De modo geral, a obra se encaixa no tema
proposto, pois apresenta características da
crônica, como histórias do dia a dia, linguagem
simples e reflexões ao longo dos textos. Eu
recomendaria para outras pessoas, por ser uma
leitura leve, com momentos de humor e ironia,
que deixam tudo mais agradável. Gostei, foi uma
experiência boa, sendo meu primeiro contato
com crônicas, e algo que me marcou de forma
positiva.
LEITORA: Emylle Duarte Maia
Resenha: "A Última Crônica"
Escritor: Fernando Sabino
Ler "A Última Crônica" é levar um soco no peito com delicadeza. Fernando Sabino pega uma cena de dois minutos num bar e transforma em algo que a gente carrega pra vida inteira.
O narrador está lá, frustrado, procurando um "grande assunto" pra falar do aniversário do Rio. É quando o mundo responde pra ele: um pai, com a roupa gasta e o bolso vazio, entra com a filhinha. É aniversário dela. O presente? Uma coca-cola. Uma só, com dois canudos.
E eles brindam. Riem. Sopram bolinhas. São, por alguns minutos, as duas pessoas mais ricas do mundo.
É impossível não sentir um nó na garganta. Sabino não romantiza a pobreza. Ele mostra a dignidade. Mostra um pai que se recusa a deixar a filha sem festa, mesmo que a festa caiba num copo. É amor em estado bruto, sem filtro.
No final, o narrador desiste de escrever. Como poderia? A vida escreveu por ele, ali, na sua frente. Ele só consegue pedir um cigarro, tentando esconder que está com os olhos cheios d’água. E a gente entende. Porque a gente também fica.
"A Última Crônica" dói e cura ao mesmo tempo. Ela obriga a gente a enxergar. Quantas festas de coca-cola acontecem todo dia e a gente, distraído, procurando "grandes assuntos", não vê? Sabino grita sem aumentar o tom: a literatura mais linda está no abraço, no gesto simples, na vida real que insiste em ser bonita apesar de tudo.
Título da resenha: Humor e realidade no livro As Mentiras que os Homens Contam
Leitora: Isabella Pereira Nunes
Livro: As Mentiras que os Homens Contam
Escritor: Luis Fernando Verissimo
Eu escolhi esse livro porque o título me chamou atenção logo de cara e me deixou curiosa para entender quais eram essas “mentiras” que o autor falava. Como eu gosto de histórias mais leves e engraçadas, achei que seria uma leitura interessante. Mesmo eu sendo menina e tendo 15 anos, consegui entender muitas situações do livro, porque várias delas lembram coisas que acontecem no cotidiano das pessoas.
O livro é uma coletânea de crônicas curtas e divertidas que mostram situações engraçadas da vida dos homens, principalmente em relacionamentos, amizades e momentos do dia a dia. Em várias histórias aparecem desculpas, enrolações e pequenas mentiras contadas para evitar confusão ou sair de situações difíceis. O mais interessante é que os personagens parecem pessoas reais, então em alguns momentos eu lembrei de pessoas que conheço e até de situações que já vi acontecer. Uma coisa que gostei bastante foi a forma como o autor escreve. A linguagem é simples, direta e muito fácil de entender.
Mesmo sendo um livro engraçado, ele também faz a gente refletir sobre o comportamento das pessoas e sobre como pequenas mentiras acabam fazendo parte da convivência humana. Enquanto eu lia, teve partes que me fizeram rir de verdade, porque as situações são muito exageradas, mas ao mesmo tempo muito reais. O cenário das histórias também é bem familiar, porque tudo acontece em situações comuns da rotina. Isso deixa a leitura mais interessante e faz a gente se sentir mais próximo das histórias.
Além do humor, percebi que o autor também faz pequenas críticas à sociedade e aos relacionamentos, mas de um jeito leve e divertido. Na minha opinião, esse livro vale muito a pena porque é uma leitura rápida, engraçada e nada cansativa. As crônicas conseguem prender a atenção do começo ao fim. Eu recomendaria esse livro principalmente para quem gosta de histórias com humor e quer ler algo mais leve. No final da leitura, fiquei com a sensação de que o livro mostra que todo mundo, em algum momento, acaba escondendo algo ou inventando pequenas desculpas no dia a dia.
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