RESENHAS DO GRUPO DIVERSIDADE CULTURAL E REPRESENTATIVIDADE
João Gabriel Cristalino Costa Santos
Livro- O conto da Aia
O motivo de ter escolhido esse livro para dois grupos diferentes é porque ele é uma excelente interseção entre esse dois aspectos, temos a relação da protagonista com o seu mundo, o que nos dá noção do espectro cultural, e suas relações interpessoais nos mostra a capacidade dela de lidar com os outros.
O conto da Aia narra a história de Offred (Of Fred, no caso as mulheres são conhecidas pelo nome dos país ou maridos) na República de Gilead, um Estado teocrático regido pelas leis do antigo testamento bíblico. No livro, nós acompanhamos as interações de Offred, já dessensibilizada pela vida naquela sociedade, com homens e mulheres em uma sociedade de forte cerceamento de liberdades individuais a todos, especialmente para as mulheres
Achei o livro excelente, como um amante de distopias e linhas do tempo alternativas, o livro cativa pela sua realidade, não no sentido próprio do livro, mas pela capacidade de descrever o nosso próprio mundo. O livro é importante principalmente para a formação de senso crítico que devemos lutar pelos nossos direitos.
Laryssa Melo de Sousa
Livro: Cinco anos sem chover
Autor(a): Lino de Albergaria
Eu escolhi o livro Cinco anos sem chover porque ele aborda vários temas incluindo migração, seca e, além disso, valoriza a diversidade cultural do sertão e dá representatividade ao povo nordestino.
A história mostra o dia a dia de Raimundinho e sua família em uma comunidade que vive anos sem chuva, por isso seu pai migra pra São Paulo em busca de melhores condições, o que dá início ao evento desencadeador da história.
Durante a leitura, senti empatia, emoção e admiração. O livro mostra como a cultura local, mesmo diante das dificuldades, mantém sua identidade e resistência. Isso reforça o quanto é importante que diferentes realidades brasileiras sejam representadas.
"Cinco anos sem chover " é uma leitura curta e sensível. Representa um Brasil que muitas vezes não aparece nos livros e é pouco valorizado mas, faz parte da história nordestina. Recomendo, pois vale a pena e amplia a nossa visão sobre o país.
LIVRO: Mulheres rurais e violência: algumas abordagens
CAPÍTULO: Quebradeiras de Coco Babaçu do Maranhão
LEITORA: Neuda Fernandes Dias
TEMA: Diversidade Cultural e Representatividade
A leitura deste capítulo
do livro me proporcionou
a aquisição de conhecimentos importantes sobre detalhes da história
das Quebradeiras de Coco Babaçu do Maranhão que
é profundamente marcada pela luta, resistência e tradição em
torno da palmeira de babaçu, fundamental para a sobrevivência e
reprodução física, social e cultural dessas
comunidades, majoritariamente, compostas por mulheres.
A
atividade de coleta e quebra do coco babaçu é transmitida de
geração em geração, sendo exercida quase que exclusivamente por
mulheres. O babaçu oferece diversos produtos essenciais para o
sustento familiar (óleo, farinha, carvão, azeite, sabão,
artesanato).
Historicamente, essas comunidades enfrentaram
e ainda enfrentam grandes desafios, principalmente o cerceamento dos
babaçuais por fazendeiros e a expansão do agronegócio. A
necessidade de sobrevivência e a luta pelo direito de acesso aos
babaçuais levaram à organização política.
Na década
de 1990, com o apoio de associações e sindicatos, elas criaram o
Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB), em
1991, unindo mulheres do Maranhão, Pará, Piauí e Tocantins para
lutar pelos seus direitos e pela preservação dos babaçuais.
Essa articulação resultou em importantes conquistas, como a Lei
do Babaçu Livre (promulgada em vários municípios maranhenses desde
1997 e com projetos em nível estadual e federal), que proíbe a
derrubada das palmeiras e garante o livre acesso e uso comunitário
dos babaçuais, mesmo em terras privadas.
A importância das
quebradeiras transcende a dimensão econômica e territorial,
representando um patrimônio imaterial de grande valor. Elas são
reconhecidas como comunidades tradicionais e guardiãs incansáveis
dos babaçuais e da Mata dos Cocais, utilizando técnicas
extrativistas sustentáveis que garantem a conservação da palmeira
e do ecossistema.
O movimento é um poderoso exemplo de
protagonismo e empoderamento feminino no campo, onde as mulheres se
organizaram para lutar por seus direitos e autonomia política e
econômica, resistindo a um modelo exploratório. Os saberes e as
práticas associadas à coleta e ao beneficiamento do babaçu foram
recentemente reconhecidos como Patrimônio Cultural Imaterial do
Maranhão, reforçando sua relevância histórica e cultural.
A história das Quebradeiras de Coco Babaçu é um exemplo
notável de como a diversidade cultural se manifesta através de
modos de vida tradicionais e de como a representatividade surge da
organização e luta por esses saberes e territórios.
Ao se organizarem, elas exigem que suas demandas sejam
incorporadas nas leis (como a Lei do Babaçu Livre) e nas políticas
públicas. Isso garante que essa minoria cultural seja visível e
tenha seu modo de vida respeitado, combatendo a negação territorial
e a marginalização histórica. A identidade de ser "quebradeira
de coco" torna-se um símbolo de pertencimento e resistência.
Em resumo, a história delas é uma prova de que a
diversidade cultural não se trata apenas de festas ou arte, mas de
formas distintas de se relacionar com o território e a vida, e a
representatividade é a ferramenta política para proteger essa
diversidade.
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