RESENHAS DO GRUPO AFRICANIDADE

 


Livro: Torto Arado

Leitora: Andreina Virginio

O livro é um encantamento literário que nos leva a pontes históricas e culturais de uma forma sensível e ao mesmo tempo brutal. Para além dessa estilística dual, o autor nos leva a pensar no racismo estrutural, na luta constante pela terra, nas desigualdades e injustiças que insistem em acompanhar nosso trajeto histórico. Os dramas e as tramas são tratados com objetivo de demonstrar a necessidade de resgatar a memória, ou seja, resgatar a identidade que, pela força hegemônica de pequenos grupos, tende a ser apagada. É portanto, um livro de resistência, com simbologias importantes cuja força se coloca como uma via indispensável para discutirmos as fraturas instaladas ao longo do tempo e do nosso espaço histórico. Sugiro que a leitura tenha início pela capa, vista por mim como elemento introdutório para um enredo repleto de camadas complexas e profundas de eventos nada fictícios, visto que, se olhares pela janela da sua vida, veras em ti e/ou em outros o que se passou com os personagens deste livro.




LIVRO: Gosto de África: Histórias de Lá e Daqui (Joel Rufino dos Santos)

LEITORA: AURILENE ARAÚJO DA COSTA


O livro Gosto de África: Histórias de Lá e Daqui é uma coletânea de contos que têm como foco a cultura negra, mitos, lendas e tradições, fazendo uma ponte entre as raízes africanas e a formação cultural brasileira.
Abaixo estão os contos da obra: 

“As pérolas de Cadija”
“O filho de Luísa”
“A sagrada família”.
“O leão de Mali”
“Bonsucesso dos pretos”.
“Bumba meu boi”
“A casa da flor”




A Força de Celie

Maria Eduarda Pinheiro da Silva

A cor púrpura- Alice Walker

"A Cor Púrpura" não é só um livro, é um soco no estômago e um abraço quente ao mesmo tempo! Se a gente for pensar no contexto das africanidades, a obra da Alice Walker é fundamental porque ela bota o holofote na mulher negra no Sul dos EUA (pense ali no começo do século XX), uma das posições mais marginalizadas da história americana. A protagonista, Celie, é o retrato da invisibilidade: ela é violentada, silenciada e tratada como propriedade, tanto por ser mulher quanto por ser negra.

Mas o grande poder do livro é mostrar a jornada de empoderamento dela, que acontece não por um milagre, mas pela sororidade e pela comunidade. Quando Celie encontra fi guras como a livre-pensadora e cantora de blues Shug Avery e se conecta com a história de sua irmã, Nettie, na África, ela começa a costurar um caminho de volta para si mesma. A história dela é um grito contra o racismo e, principalmente, contra o machismo internalizado na própria comunidade negra. O livro mostra que a cura e a revolução vêm de dentro, na redescoberta da autoestima e na força dos laços entre mulheres. É um texto essencial que fala sobre dignidade e sobre encontrar sua própria "cor púrpura"—a beleza e o valor da vida—mesmo no meio da escuridão.

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